Principais conclusões
1. Normalidade Maligna: Uma Ameaça aos Padrões Éticos
Dessa forma, um presidente perigoso se torna normalizado, e a normalidade maligna passa a dominar nossa dinâmica de governança (ou, poderia-se dizer, nossa antigonvêrnância).
Normalização do Inaceitável. A normalidade maligna refere-se ao processo pelo qual comportamentos destrutivos ou antiéticos se tornam aceitos como prática padrão dentro de uma sociedade. Essa normalização pode ocorrer quando correntes políticas e militares influenciam o que é considerado desejável ou "normal", mesmo que esses comportamentos sejam prejudiciais ou malignos.
Exemplos Históricos. O autor traça paralelos com os médicos nazistas que se adaptaram aos horrores de Auschwitz e psicólogos americanos que justificaram a tortura, ilustrando como profissionais podem se tornar cúmplices de práticas antiéticas quando normalizadas por instituições ou líderes políticos. Esses exemplos destacam o perigo de permitir que circunstâncias políticas sobreponham códigos éticos.
Influência de Trump. As ações da administração Trump, como a violação de requisitos institucionais e a ameaça à viabilidade democrática, podem se tornar normalizadas simplesmente porque ocorrem no contexto da presidência. Essa normalização representa uma ameaça significativa aos padrões éticos e aos processos democráticos, exigindo vigilância e resistência tanto de profissionais quanto de cidadãos.
2. O Profissional Testemunha: Um Imperativo Ético
Como profissionais da psicologia, agimos com paixão ética em nossos esforços para revelar o que é mais perigoso e o que, em contraste, pode ser afirmativo da vida diante da normalidade maligna que nos cerca.
Além da Observação Neutra. Profissionais testemunhas são aqueles que usam seu conhecimento e habilidades para expor a normalidade maligna e dar testemunho de sua malignidade. Esse papel vai além da observação neutra, exigindo uma combinação de abordagem profissional disciplinada com os requisitos éticos de um testemunho comprometido.
Responsabilidade Ética. Os profissionais têm uma responsabilidade ética maior que inclui para quem e com quem trabalham, e como seu trabalho afirma ou questiona as direções da sociedade em geral. Essa responsabilidade se estende além dos pacientes e padrões disciplinares para incluir um "dever de alertar" quando o público está em risco.
Testemunho Ativista. O autor defende um profissional testemunha ativista que combina erudição com ativismo, usando sua expertise para expor formas perigosas de normalidade. Essa abordagem requer conhecimento disciplinado, paixão ética e um reconhecimento da urgência de situações que envolvem profunda instabilidade e inverdade.
3. A Regra Goldwater: Uma Espada de Dois Gumes
Caso contrário, uma regra originalmente concebida para proteger nossa profissão de escândalos pode se tornar uma fonte de escândalo.
Protegendo a Integridade Profissional. A regra Goldwater, ou Seção 7.3 do código de ética da APA, proíbe psiquiatras de oferecer uma opinião profissional sobre uma figura pública, a menos que tenham realizado um exame e recebido a devida autorização. Essa regra visa preservar a integridade profissional, proteger figuras públicas de difamação e salvaguardar a percepção pública da psiquiatria.
Equilibrando Princípios Éticos. Embora a regra Goldwater seja razoável, deve ser equilibrada com outras regras e princípios da prática profissional, como o dever de alertar o público quando uma pessoa no poder apresenta sinais claros de comprometimento mental perigoso. A confiança pública é violada se a profissão falhar em seu dever de alertar quando o risco da inação é muito grande.
Exceção de Emergência. O autor argumenta que uma emergência existe quando uma pessoa que detém o poder de vida e morte sobre todos nós apresenta sinais claros de comprometimento mental perigoso. Nesses casos, um médico deve violar a confiança de confidencialidade e intervir sem consentimento, infringindo a regra Goldwater.
4. Perigosidade: Uma Avaliação Mais Crítica do que Diagnóstico
Avaliar a perigosidade é diferente de fazer um diagnóstico: depende da situação, não da pessoa.
Foco no Comportamento, Não no Rótulo. Avaliar a perigosidade é distinto de fazer um diagnóstico, pois depende da situação, não da pessoa. Sinais de provável perigosidade devido a transtornos mentais podem se tornar aparentes sem uma entrevista diagnóstica completa e podem ser detectados à distância.
Dever de Proteger. Profissionais de saúde mental e médicos têm considerável poder para deter pessoas contra sua vontade se elas representarem um perigo devido a provável doença mental. Esse poder sublinha a importância de avaliar a perigosidade, especialmente em indivíduos que ocupam posições de autoridade.
Padrões de Prática. A confiança pública é violada se a profissão falhar em seu dever de alertar o público quando uma pessoa que detém o poder de vida e morte sobre todos nós apresenta sinais claros de comprometimento mental perigoso. O presidente de uma democracia deve estar sujeito aos mesmos padrões de prática que o restante da cidadania quando se trata de perigosidade.
5. Hedonismo Presente Extremo: Inadequado para a Liderança
Um hedonista presente extremo dirá ou fará qualquer coisa a qualquer momento para fins de autoengrandecimento e para se proteger de atividades anteriores (geralmente percebidas negativamente), sem pensar no futuro ou no efeito de suas ações.
Vivendo o Momento. Hedonistas presentes extremos vivem e agem no momento presente, frequentemente com pouco ou nenhum pensamento sobre o futuro ou as consequências de suas ações. Esse tipo de personalidade é caracterizado pela impulsividade, falta de previsibilidade e uma propensão a desumanizar os outros para se sentir superior.
Perspectivas Temporais Desbalanceadas. O autor argumenta que Donald Trump incorpora um hedonista presente extremo, com perspectivas temporais totalmente desbalanceadas. Essa afirmação é baseada na infinidade de materiais escritos e gravados sobre ele, incluindo entrevistas, vídeos e tweets.
Consequências da Impulsividade. O pensamento impulsivo do hedonista presente extremo leva a uma ação impulsiva que pode fazê-lo se recusar a ceder quando confrontado com as consequências dessa ação. Essa impulsividade pode levar a mal-entendidos, mentiras e relacionamentos tóxicos, além de resultados futuros potencialmente devastadores.
6. Narcisismo Patológico: Uma Força Política Tóxica
No cerne do narcisismo patológico, ou NPD, está o que chamo de Triplo E: Direito, Exploração, Comprometimento da Empatia.
Narcisismo em um Espectro. O narcisismo existe em um espectro, com níveis moderados sendo saudáveis e benéficos, enquanto níveis extremos podem ser patológicos e perigosos. O narcisismo patológico, ou transtorno de personalidade narcisista (NPD), é caracterizado por uma forte necessidade de ser tratado como especial, uma tendência a explorar os outros e comprometimento da empatia.
Narcisismo Maligno. Quando o NPD se combina com psicopatia, forma um padrão de comportamento chamado narcisismo maligno. Isso envolve ver outras pessoas como peças em um jogo de matar ou ser morto, e pode levar a comprometimentos funcionais perigosos, como aumento da paranoia, julgamento prejudicado e tomada de decisões voláteis.
Espiral Psicótica. Narcisistas patológicos podem perder o contato com a realidade de maneiras sutis que se tornam extremamente perigosas ao longo do tempo. À medida que seu status especial se torna ameaçado, eles distorcem a verdade para se adequar à sua narrativa, levando a uma espiral psicótica caracterizada por crescente paranoia, julgamento prejudicado, tomada de decisões voláteis e gaslighting.
7. O Déficit de Confiança de Trump: O Problema Central
A base fundamental do desenvolvimento humano é a formação de uma capacidade de confiar, absorvida pelas crianças entre o nascimento e dezoito meses. Donald Trump se gabou de sua total falta de confiança.
Fundação do Desenvolvimento Humano. A capacidade de confiar é fundamental para o desenvolvimento humano, no entanto, Donald Trump se gabou repetidamente de sua total falta de confiança nos outros. Essa falta de confiança permeia sua visão de mundo e influencia seus relacionamentos, tanto pessoais quanto políticos.
Erosão da Confiança. Como presidente, Trump está sistematicamente destruindo a confiança nas instituições que agora comanda, incluindo a comunidade de inteligência, o judiciário e a mídia. Seu comportamento beligerante e desrespeito por líderes de nossos aliados mais próximos também minam as relações internacionais.
Consequências Perigosas. Um líder que não confia em seus subordinados não pode inspirar confiança, e sua falha em confiar ou inspirar confiança é ainda mais perigosa em uma escala global. Isso pode levar a uma tomada de decisões volátil, isolamento e uma dependência de teorias da conspiração, tudo isso representando uma ameaça à segurança nacional e internacional.
8. Sociopatia: Uma Severidade na Perturbação da Empatia
A falha da empatia normal é central à sociopatia, que é marcada pela ausência de culpa, manipulação intencional e controle ou até mesmo dano sadístico a outros para poder ou gratificação pessoal.
Falta de Empatia. A sociopatia é caracterizada pela falta de empatia, culpa e remorso, bem como uma tendência a manipular, enganar e prejudicar os outros para ganho pessoal. Essa condição representa uma severa perturbação na constituição emocional de um indivíduo.
Sociopatas Bem-Sucedidos. Enquanto alguns sociopatas acabam como criminosos ou marginalizados, outros são habilidosos em manipulação e podem alcançar altos status e poder. Esses "sociopatas bem-sucedidos" podem parecer psicologicamente saudáveis, mas ainda estão severamente doentes emocionalmente.
Traços Perigosos. O autor argumenta que Donald Trump exibe vários traços de sociopatia, incluindo falta de empatia, mentiras e trapaças, perda de realidade e reações de raiva e impulsividade. Esses traços, combinados com sua posição de poder, criam um perigo profundo para a democracia e a segurança da América.
9. O Efeito Trump: Bullying e Divisão Social
Uma pessoa pode afetar uma nação inteira, e em nenhum lugar vemos isso mais claramente do que com "o Efeito Trump", que foi originalmente definido como um aumento do bullying nas escolas causado pela retórica usada por Donald Trump durante sua campanha.
Aumento do Bullying. O "Efeito Trump" refere-se a um aumento do bullying e crimes de ódio, particularmente nas escolas, causado pela retórica usada por Donald Trump durante sua campanha e presidência. Esse efeito levou ao medo, ansiedade e estresse entre os estudantes, especialmente aqueles de grupos marginalizados.
Grupos de Ódio Encorajados. A retórica do presidente encorajou grupos de ódio e indivíduos a se envolverem em atos de violência e discriminação contra judeus, muçulmanos, mexicanos e outros grupos minoritários. Isso criou um clima de medo e divisão na sociedade americana.
Desumanização. O autor argumenta que o comportamento de Trump promove a desumanização dos outros, que é um traço de narcisismo e bullying. Essa desumanização pode levar a mais violência e discriminação, pois torna mais fácil justificar o dano àqueles que são vistos como menos que humanos.
10. Trauma, Tempo e Verdade: A Erosão da Realidade
Quando se trata de perigosidade, o presidente de uma democracia, como Primeiro Cidadão, não deveria estar sujeito aos mesmos padrões de prática que o restante da cidadania?
Trauma e a Eleição. A eleição de Donald Trump foi vivenciada como traumática por muitos americanos, particularmente aqueles alvos de sua retórica. Esse trauma está enraizado na natureza desestabilizadora de seu comportamento e na erosão da confiança nas instituições e normas.
Tempo e Verdade. O autor destaca dois componentes-chave do trauma: tempo e verdade. O fluxo constante de tweets extremos e ações impulsivas de Trump interrompe a capacidade de processar informações e dar sentido aos eventos, enquanto sua insistência em "fatos alternativos" mina a própria noção de verdade objetiva.
Erosão da Realidade. Ao negar o acesso ao tempo e questionar nossas percepções de verdade, Trump fecha nossa capacidade de refletir, nos faz duvidar da realidade e, assim, encoraja a reatividade e o estresse. Isso cria um estado de crise que é prejudicial à saúde mental individual e nacional.
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O Caso Perigoso de Donald Trump reúne ensaios de 27 especialistas em saúde mental que avaliam o estado psicológico de Trump e sua aptidão para o cargo. As opiniões são variadas, com muitos elogiando as percepções do livro sobre o narcisismo, a impulsividade e a potencial periculosidade de Trump como presidente. Críticos argumentam que é antiético diagnosticar sem uma avaliação direta. A maioria dos revisores considerou o livro instigante e alarmante, embora alguns tenham sentido que era repetitivo. Muitos apreciaram a disposição dos especialistas em se manifestar, apesar dos riscos profissionais, vendo a obra como um importante alerta sobre o estado mental de Trump e suas implicações para a democracia e a segurança global.
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