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Canção para ninar menino grande

Canção para ninar menino grande

por Conceição Evaristo 2022 126 páginas
4.09
2.000+ avaliações
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Resumo do Enredo

Dor no Peito, Vozes Antigas

Juventina sente dor, amigas vigiam

Juventina, cercada por amigas, sente uma dor súbita no peito, que a faz cambalear entre a vida e a morte. O episódio revela não apenas a fragilidade do corpo, mas também a força das memórias e das histórias compartilhadas entre mulheres. A canção que ela entoa, "Canção para ninar menino grande", acalma e emociona o grupo, tornando-se símbolo de resistência e afeto. A dor de Juventina não é física, mas sim a dor de um amor passado, de lembranças que insistem em permanecer. O capítulo introduz o tom do romance: a escrita como reconstrução de vivências, a escuta atenta das histórias femininas e a busca por sentido nas lacunas da memória. O relato é marcado pela dúvida sobre a fidelidade da escuta e pela consciência de que toda narrativa é, em si, uma reinvenção.

Fio Jasmim: Entre Amores

Homem múltiplo, amores cruzados

Fio Jasmim, maquinista, é o eixo em torno do qual giram as histórias de várias mulheres. Casado com Pérola Maria, pai de muitos filhos, ele nunca nega nem confirma suas relações extraconjugais, deixando um rastro de filhos e paixões não resolvidas. Sua figura é ambígua: ora vítima do desejo alheio, ora sedutor inconsequente. As mulheres que cruzam seu caminho — Aurora, Antonieta, Dolores, Dalva, Neide, Tina — compõem um mosaico de afetos, dores e resistências. Fio é tanto objeto quanto sujeito do desejo, e sua trajetória revela as contradições do masculino, a busca por completude e o vazio existencial que o acompanha. O capítulo expõe a complexidade das relações amorosas e a pluralidade de vozes femininas que narram, questionam e reinventam o próprio destino.

Pérola Maria e a Casa

Esposa, maternidade, silêncio resiliente

Pérola Maria, esposa de Fio Jasmim, representa a estabilidade e a continuidade. Mãe de muitos filhos, ela encontra prazer na maternidade, fazendo do parto e do cuidado seu centro de vida. Seu silêncio diante das traições do marido é tanto resignação quanto estratégia de sobrevivência. Pérola ignora ou chora em silêncio, mas nunca confronta abertamente Fio, preferindo transformar a dor em mais um filho. Sua casa é espaço de acolhimento, mas também de solidão. Pérola é a "pérola", a joia rara, mas também a mulher invisível, cuja existência é marcada pela abnegação. O capítulo revela a força e a vulnerabilidade das mulheres que sustentam lares, mesmo quando o amor é fragmentado e a fidelidade, uma ilusão.

Neide e o Príncipe Negro

Encontro, desejo, maternidade autônoma

Neide Paranhos da Silva, jovem tímida, é escolhida para representar sua família na festa da colheita das laranjas. O encontro com Fio Jasmim, o "Príncipe Negro", desperta nela um desejo inédito. Neide, porém, recusa o casamento e a dependência: quer apenas um filho, não um marido. Sua decisão de engravidar de Fio é consciente, um gesto de autonomia e afirmação. A gravidez, recebida com choque pela família, é acolhida com sabedoria pela avó Ismênia. Neide rompe com expectativas tradicionais, recusando o papel de esposa e reivindicando o direito ao prazer e à maternidade solitária. O capítulo celebra a liberdade feminina e a possibilidade de amar sem submissão, mesmo diante do julgamento social.

Aurora: Corpo e Água

Liberdade, desejo, resistência aquática

Aurora Correa Liberto é a mulher das águas, cuja nudez no Rio Naipã desafia normas e provoca desejos. Considerada "sem juízo", ela faz do banho ritual de liberdade e autoconhecimento. Os homens a contemplam, impotentes diante de sua autonomia; as mulheres, discretamente, se reconhecem nela. Aurora aprende a se defender, transformando o corpo em território inviolável. O encontro com Fio Jasmim é marcado pela cumplicidade: ambos compartilham a "moleira aberta", a ausência de juízo, e se entregam ao prazer sem culpa. Aurora é símbolo da mulher que se recusa a ser possuída, que faz do próprio corpo e desejo um espaço de resistência e reinvenção.

Antonieta: Silêncios e Desejos

Mistério, maternidade, entrega seletiva

Antonieta Véritas da Silva é envolta em mistério e desejo. Mãe de três filhos, vive reclusa, despertando especulações e fantasias masculinas. Sua relação com Fio Jasmim é marcada por encontros silenciosos, onde o desejo é negociado com cautela. Antonieta não busca marido, mas quietação para sua dor. O encontro entre os dois é intenso, mas não se transforma em vínculo duradouro. Anos depois, Antonieta reivindica para si a maternidade de Jasminzinho, filho de Fio, desafiando a narrativa oficial da família dele. O capítulo explora o poder do silêncio, a força do desejo feminino e a capacidade de Antonieta de escolher quando e como se entregar.

Dolores: Joias e Vingança

Solidão, herança, ódio transformado

Dolores dos Santos, herdeira de uma fortuna em joias, carrega a marca da ausência paterna e da desconfiança nos homens. Seu encontro com Fio Jasmim é mediado pela troca de presentes e pelo jogo de sedução. Dolores engravida de gêmeas, mas é abandonada. A descoberta da verdadeira identidade de Pérola Maria, esposa de Fio, desperta nela um ódio vingativo, que quase a leva ao crime. No entanto, ao contemplar a foto da família de Fio, Dolores reconhece a pluralidade das mulheres e desiste da vingança. O capítulo revela a dor da solidão, a busca por pertencimento e a possibilidade de transformar o ódio em aceitação e cuidado.

Dalva Ruiva: Reinvenção

Autonomia, maternidade, reinvenção do corpo

Dalva Amorato, conhecida como Dalva Ruiva, reinventa-se após o fim de um casamento opressor. Muda de cidade, cria os filhos sozinha e, sem pudor, passa a vender o próprio corpo para garantir autonomia financeira e realizar o sonho de estudar Farmácia. Dalva encontra em Fio Jasmim um parceiro eventual, escolhendo conscientemente ter filhos com ele. Sua trajetória é marcada pela coragem de romper com padrões, pela recusa da vitimização e pela celebração da própria sexualidade. Dalva é exemplo de mulher que faz do corpo e do desejo instrumentos de liberdade e reinvenção, desafiando estigmas e expectativas sociais.

Tina: A Virgem de Ébano

Iniciação, entrega, amor não correspondido

Tina Maria Perpétua, a Virgem de Ébano, vive uma paixão intensa e solitária por Fio Jasmim. Sua iniciação amorosa é marcada pelo cuidado e pela passividade: ela se entrega sem reservas, mas nunca é plenamente correspondida. Fio faz de Tina objeto de desejo, mas impõe limites, preservando sua virgindade como parte de um jogo erótico. Tina constrói sua identidade em torno desse amor, recusando outros pretendentes e aceitando a condição de amante. O capítulo explora a dor do amor não correspondido, a idealização do outro e a dificuldade de romper com padrões afetivos que aprisionam.

Juventina: Amor Solitário

Amor unilateral, resignação, busca de sentido

Juventina, já madura, reconhece que amou sozinha durante décadas. Sua relação com Fio Jasmim nunca foi de reciprocidade plena: ela ofertou tudo, sem pedir nada em troca. O amor de Juventina é silencioso, quase sacrificial, e se transforma em música, em arte. Ao decidir partir, ela busca compreender a natureza desse sentimento, ouvindo outras mulheres e compondo uma grande ária coletiva. Juventina representa a mulher que, mesmo ferida, encontra sentido na partilha, na escuta e na criação. O capítulo é um tributo à resiliência feminina e à capacidade de transformar dor em beleza.

Eleonora: Amizade e Confissão

Solidão, cumplicidade, descoberta do outro

Eleonora Distinta de Sá, marcada por uma história de rejeição familiar e amor não vivido por outra mulher, encontra em Fio Jasmim uma amizade improvável. O encontro entre os dois, regado a confissões e lágrimas, revela a possibilidade de afeto entre homem e mulher para além do desejo sexual. Eleonora acolhe Fio em sua dor, e juntos compartilham a solidão e a busca por sentido. O capítulo destaca a importância da escuta, da empatia e da construção de laços que transcendem as convenções de gênero e sexualidade.

Cartas, Canções e Ausências

Memória, escrita, ausência transformada em arte

As cartas de Tina para Fio Jasmim, nunca respondidas, e a canção composta por ela tornam-se símbolos da ausência e do vazio. A escrita é apresentada como tentativa de preencher lacunas, de dar forma ao que escapa à palavra falada. Fio, incapaz de corresponder ao amor de Tina, guarda a partitura da canção como tesouro, mas não consegue devolver o afeto recebido. O capítulo reflete sobre o poder da escrita, da música e da memória como formas de resistência e sobrevivência diante da ausência e da perda.

Mulheres em Confraria

Sororidade, partilha, reconstrução coletiva

As mulheres que cruzaram o caminho de Fio JasmimTina, Pérola, Dolores, Dalva, Antonieta, Aurora, Eleonora — formam uma confraria, unidas pela partilha de dores, amores e resistências. A escuta mútua, a troca de histórias e o apoio recíproco tornam-se formas de enfrentamento do vazio e da solidão. O capítulo celebra a força da sororidade, a importância de reconhecer-se no outro e a possibilidade de reconstruir-se coletivamente. A confraria é espaço de cura, de reinvenção e de celebração da pluralidade feminina.

O Vazio de Fio Jasmim

Solidão masculina, busca de sentido

Fio Jasmim, apesar de cercado por mulheres e filhos, experimenta um vazio profundo, que nem o prazer, nem o poder, nem a paternidade conseguem preencher. Sua masculinidade é construída sobre a negação da dor, o silêncio das emoções e a busca incessante por novas conquistas. O encontro com Eleonora o faz confrontar suas próprias fragilidades e repensar o sentido de sua existência. O capítulo revela a solidão do homem que, ao negar a própria vulnerabilidade, se distancia de si mesmo e dos outros, e sugere a necessidade de repensar modelos de masculinidade.

O Legado das Mulheres

Herança, memória, escrevivência coletiva

O legado das mulheres é transmitido não apenas por laços de sangue, mas pela partilha de histórias, saberes e afetos. A escrevivência — conceito central da autora — é apresentada como prática de resistência, de reconstrução da memória e de afirmação da identidade. As mulheres do romance, ao narrarem suas vidas, resgatam vozes silenciadas e constroem uma genealogia feminina marcada pela dor, mas também pela potência criadora. O capítulo destaca a importância da memória coletiva e da escrita como formas de garantir a sobrevivência e a dignidade das mulheres.

Escrevivência: Entre Vida e Ficção

Fronteira tênue, verdade e invenção

O romance se encerra com uma reflexão sobre a natureza da escrita: contar e recontar histórias é sempre um ato de invenção, de reconstrução do vivido. A narradora reconhece a impossibilidade de captar toda a verdade, mas insiste na importância de acreditar no que parece ser. A escrevivência mistura vida e ficção, corpo e palavra, dor e criação. O capítulo finaliza celebrando a capacidade das mulheres de transformar sofrimento em arte, ausência em presença, e de construir, juntas, novas canções para ninar meninos grandes e pequenas meninas.

Analysis

Reflexão moderna sobre amor, gênero e escrevivência

"Canção para ninar menino grande" é uma celebração da pluralidade feminina e uma crítica sensível às estruturas patriarcais que atravessam o amor, a maternidade e a sexualidade. Conceição Evaristo constrói um mosaico de vozes, onde cada mulher reinventa sua dor e seu desejo, recusando a passividade e reivindicando autonomia. O romance questiona modelos tradicionais de masculinidade, expondo o vazio existencial de Fio Jasmim e a necessidade de repensar afetos e vínculos. A escrevivência, conceito central, propõe a escrita como prática de resistência, memória e cura coletiva. A obra convida à escuta atenta das histórias silenciadas, à valorização da sororidade e à reinvenção constante de si. Em tempos de urgência por novas formas de amar e existir, o livro é um convite à coragem de narrar, partilhar e transformar a própria vida em canção.

Última atualização:

Report Issue

Resumo das Resenhas

4.09 de 5
Média de 2.000+ avaliações do Goodreads e Amazon.

Reviews for Canção para ninar menino grande are mixed, averaging 4.1/5. Many praise Conceição Evaristo's poetic, beautiful writing, while opinions diverge sharply on the narrative's intent. Some readers celebrate it as a profound exploration of feminine solidarity, generational trauma, and toxic masculinity. Others feel frustrated, viewing it as inadvertently justifying the womanizing protagonist Fio Jasmin's behavior. Common criticisms include repetitive structure and a controversial ending. Most agree, however, that the female characters are the true protagonists, and nearly all express desire to read more of the author's work.

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Characters

Fio Jasmim

Homem errante, desejo e vazio

Fio Jasmim é o centro gravitacional das histórias, um homem dividido entre múltiplos amores, filhos e cidades. Sua masculinidade é marcada pela busca incessante de prazer, pela recusa em assumir responsabilidades afetivas plenas e por um vazio existencial que o acompanha desde a infância. Fio é simultaneamente sedutor e ausente, capaz de gestos de ternura, mas incapaz de corresponder ao amor profundo das mulheres que o cercam. Sua trajetória revela as contradições do masculino, a influência do pai e a dificuldade de lidar com a própria vulnerabilidade. Ao longo do romance, Fio é confrontado com as consequências de suas escolhas e com a necessidade de repensar o sentido de sua existência.

Juventina Maria Perpétua (Tina)

Amante devotada, amor solitário

Tina é a Virgem de Ébano, mulher que vive uma paixão intensa e unilateral por Fio Jasmim. Sua entrega é total, marcada pela passividade e pela ausência de exigências. Tina constrói sua identidade em torno desse amor, recusando outros caminhos e aceitando a condição de amante. Sua dor é silenciosa, transformada em música e escrita. Ao final, Tina busca compreender a natureza de seu sentimento, ouvindo outras mulheres e compondo uma ária coletiva. Sua trajetória é marcada pela resiliência, pela capacidade de transformar dor em arte e pela busca de sentido para além do amor não correspondido.

Pérola Maria

Esposa resiliente, maternidade plena

Pérola Maria é a esposa de Fio Jasmim, mãe de muitos filhos, símbolo de estabilidade e continuidade. Seu silêncio diante das traições do marido é tanto resignação quanto estratégia de sobrevivência. Pérola encontra prazer na maternidade, fazendo do parto e do cuidado seu centro de vida. Sua força está na capacidade de suportar, de transformar a dor em criação e de manter a casa como espaço de acolhimento. Pérola é a mulher invisível, cuja existência é marcada pela abnegação, mas também pela dignidade e pela resistência silenciosa.

Dolores dos Santos

Herdeira solitária, desejo de justiça

Dolores é marcada pela ausência paterna, pela desconfiança nos homens e pela solidão. Herdeira de uma fortuna em joias, ela busca no amor de Fio Jasmim uma possibilidade de pertencimento, mas é abandonada. A descoberta da verdadeira identidade de Pérola Maria desperta nela um ódio vingativo, que quase a leva ao crime. No entanto, Dolores transforma o ódio em aceitação, reconhecendo a pluralidade das mulheres e a necessidade de cuidar das filhas. Sua trajetória é marcada pela busca de justiça, pela dor da solidão e pela capacidade de ressignificar o sofrimento.

Dalva Amorato (Dalva Ruiva)

Autonomia, reinvenção, maternidade consciente

Dalva Ruiva é exemplo de mulher que rompe com padrões, reinventa-se após o fim de um casamento opressor e faz do corpo instrumento de liberdade. Muda de cidade, cria os filhos sozinha, vende o próprio corpo sem culpa e realiza o sonho de estudar. Dalva escolhe conscientemente ter filhos com Fio Jasmim, celebrando a própria sexualidade e autonomia. Sua trajetória é marcada pela coragem, pela recusa da vitimização e pela celebração da potência feminina. Dalva desafia estigmas e constrói uma nova identidade para si e para os filhos.

Antonieta Véritas da Silva

Mistério, maternidade, desejo contido

Antonieta é envolta em mistério, mãe de três filhos, vive reclusa e desperta fantasias masculinas. Sua relação com Fio Jasmim é marcada por encontros silenciosos e intensos, mas não se transforma em vínculo duradouro. Antonieta reivindica para si a maternidade de Jasminzinho, desafiando a narrativa oficial da família de Fio. Sua força está na capacidade de escolher quando e como se entregar, no poder do silêncio e na afirmação da própria autonomia.

Aurora Correa Liberto

Liberdade, corpo, resistência

Aurora é a mulher das águas, cuja nudez desafia normas e provoca desejos. Considerada "sem juízo", ela faz do banho ritual de liberdade e autoconhecimento. Aprende a se defender, transformando o corpo em território inviolável. O encontro com Fio Jasmim é marcado pela cumplicidade e pela partilha da "moleira aberta". Aurora é símbolo da mulher que se recusa a ser possuída, que faz do próprio corpo e desejo um espaço de resistência e reinvenção.

Neide Paranhos da Silva

Autonomia, desejo, maternidade independente

Neide é jovem tímida, mas determinada. Recusa o casamento e a dependência, escolhendo conscientemente engravidar de Fio Jasmim. Sua decisão é um gesto de autonomia e afirmação, rompendo com expectativas tradicionais. Neide representa a mulher que reivindica o direito ao prazer e à maternidade solitária, desafiando o julgamento social e celebrando a liberdade feminina.

Eleonora Distinta de Sá

Solidão, amizade, escuta sensível

Eleonora é marcada por uma história de rejeição familiar e amor não vivido por outra mulher. Encontra em Fio Jasmim uma amizade improvável, baseada na escuta, na empatia e na partilha da solidão. Eleonora acolhe Fio em sua dor, e juntos constroem um laço que transcende as convenções de gênero e sexualidade. Sua trajetória destaca a importância da escuta, da empatia e da construção de laços afetivos para além do desejo sexual.

Narradora/Confraria das Mulheres

Testemunha, escrevivente, voz coletiva

A narradora é testemunha e escrevivente, responsável por recolher, recontar e reinventar as histórias das mulheres que cruzaram o caminho de Fio Jasmim. Sua voz é coletiva, representando a confraria de mulheres que partilham dores, amores e resistências. A narradora reconhece a impossibilidade de captar toda a verdade, mas insiste na importância de acreditar no que parece ser. Sua função é garantir que as vozes femininas não sejam silenciadas, celebrando a escrevivência como prática de resistência e afirmação.

Plot Devices

Narrativa Polifônica e Escrevivência

Vozes múltiplas, memória e reinvenção

O romance utiliza uma estrutura polifônica, em que diferentes vozes femininas narram, cruzam e reinterpretam suas histórias. A escrevivência — mistura de experiência vivida e escrita — é o principal dispositivo, permitindo que a memória individual se transforme em memória coletiva. O texto é marcado por idas e vindas temporais, cartas, canções, silêncios e lacunas, que refletem a incompletude da memória e a impossibilidade de captar toda a verdade. O uso de cartas, músicas e objetos simbólicos (como a caixa de camisa) reforça a materialidade da ausência e do desejo. A narrativa desafia fronteiras entre ficção e realidade, vida e arte, e propõe a escrita como forma de resistência, cura e reconstrução identitária.

Sobre o Autor

Conceição Evaristo was born in a slum in Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil, where she balanced studies with domestic work before completing her early education at age 25. She later moved to Rio de Janeiro, secured a teaching position, and earned a degree in Letters from UFRJ. In the 1980s, she joined Grupo Quilombhoje, debuting in literature in 1990 through Cadernos Negros. Holding a Master's in Brazilian Literature from PUC-Rio and a PhD in Comparative Literature from UFF, her acclaimed works — including the 2003 novel Ponciá Vicêncio — explore racial, gender, and class discrimination. She currently teaches at UFMG.

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